Dois conceitos fazem praticamente todo o trabalho pesado na filosofia política que sustenta este site: propriedade privada e não-agressão. Isolados, cada um parece quase banal. Juntos, eliminam boa parte do que costuma passar por debate político sofisticado.
Propriedade como pré-condição, não resultado
Propriedade não é um prêmio distribuído depois que a economia já funciona — é a condição para que ela funcione. Sem saber quem tem direito de decidir o que fazer com um recurso, não existe preço de mercado para esse recurso, porque preço nasce de troca voluntária entre proprietários. E sem preço, como qualquer leitor da segunda metade deste site vai ver repetidamente, não existe cálculo econômico confiável.
Não-agressão como critério, não sentimento
O princípio da não-agressão não é um apelo à gentileza — é um critério de avaliação. Ele pergunta, sobre qualquer ação, se envolveu início de força contra pessoa ou propriedade alheia sem consentimento. Roubo falha nesse teste. Fraude falha. E — este é o ponto que gera desconforto — tributação compulsória também falha, pela mesma métrica, ainda que o vocabulário político disfarce isso.
A força desses dois princípios juntos é que eles não dependem de simpatia pessoal por nenhum resultado específico. Não dizem que riqueza é boa ou que pobreza é ruim. Dizem apenas: como algo foi obtido importa tanto quanto o que foi obtido. É um padrão desconfortavelmente consistente — aplicado ao vizinho e ao Estado com a mesma régua.