Ludwig von Mises construiu toda a sua economia a partir de uma única observação, quase óbvia demais para parecer o fundamento de alguma coisa: seres humanos agem. Não reagem como pedras que rolam morro abaixo — escolhem, deliberadamente, substituir um estado de coisas por outro que consideram melhor.
Parece pouco. Mas dessa observação decorre uma cadeia inteira de consequências. Se agir é escolher, então agir pressupõe que existem alternativas — e que essas alternativas não são igualmente desejáveis para quem escolhe. Se existem alternativas desiguais, existe escassez: não dá para ter tudo ao mesmo tempo, então cada escolha implica abrir mão de algo. Isso é o custo de oportunidade, e ele existe antes de qualquer preço de mercado — é uma característica da própria ação, não uma invenção de economista.
Por que isso importa
A praxeologia — o método de estudar a ação humana a partir dessas proposições logicamente necessárias — evita um erro comum: tratar pessoas como se fossem previsíveis do jeito que planetas são previsíveis. Não são. Cada ação carrega uma avaliação subjetiva de quem age, feita com informação incompleta, num momento específico. Isso não torna a economia menos rigorosa; torna-a rigorosa sobre outra coisa — não sobre prever o que as pessoas vão querer, mas sobre entender a estrutura lógica de qualquer escolha, seja qual for o conteúdo dela.
É por isso que os textos deste site voltam tantas vezes a esse ponto de partida. Cálculo econômico, preferência temporal, o próprio conceito de propriedade — todos são desdobramentos do fato simples de que existe alguém, em algum lugar, decidindo entre alternativas que não valem o mesmo para ele.