É comum tratar “democrático” e “livre” como sinônimos, como se o simples fato de um poder ser exercido por maioria de votos já resolvesse a questão da sua legitimidade. Vale separar as duas coisas com cuidado.
Democracia é um método de decidir quem ocupa o poder e, em alguma medida, o que ele pode fazer com ele. Liberdade é uma pergunta diferente: sobre quais decisões, independentemente de quem as toma, um indivíduo pode fazer sobre sua própria vida, corpo e propriedade sem precisar de permissão de mais ninguém.
O que a maioria não resolve
Uma maioria pode votar para restringir a liberdade de uma minoria com a mesma facilidade — às vezes maior — com que um ditador o faria, só que com a diferença de que o resultado carrega um verniz de legitimidade procedimental. “Foi decidido democraticamente” responde a pergunta de como uma decisão foi tomada, mas não responde se essa decisão respeitou os limites que separam persuasão de coerção.
Isso não é um argumento contra eleições como mecanismo de escolher representantes dentro de um sistema já limitado. É um argumento contra usar “é democrático” como resposta final para qualquer objeção sobre o conteúdo de uma decisão — como se o método pelo qual algo foi decidido bastasse para validar o que foi decidido.