Em 1920, Ludwig von Mises publicou um argumento que a maior parte dos economistas socialistas da época simplesmente não conseguiu responder: sem propriedade privada dos meios de produção, não existe forma de calcular racionalmente o que produzir.
O problema não é motivação, é informação
A crítica costuma ser mal compreendida como uma acusação de que planejadores centrais são preguiçosos ou mal-intencionados. Não é isso. O argumento é mais radical: mesmo um planejador perfeitamente informado e perfeitamente bem-intencionado não teria como saber se está alocando recursos de forma eficiente, porque a ferramenta que permite essa comparação — o preço de mercado dos fatores de produção — só existe quando esses fatores podem ser comprados e vendidos entre proprietários privados concorrentes.
Sem mercado para aço, terra e máquinas, um planejador não tem como saber se construir mais uma fábrica de tratores vale o aço que isso consome, ou se aquele mesmo aço valeria mais em pontes, em navios, em prédios. Ele pode até ter uma opinião. O que ele não tem é um número confiável para comparar.
Por que isso ainda importa
O argumento não é só sobre economias formalmente socialistas. Toda vez que um governo fixa preços, subsidia um setor específico ou decide, por decreto, que um recurso deve ir para cá em vez de para lá, está reintroduzindo o mesmo problema em escala menor: substituindo o cálculo baseado em preços de mercado por uma estimativa que ninguém tem como verificar.