Existem pelo menos duas famílias de argumento para defender a propriedade privada, e vale a pena não confundi-las, porque respondem a objeções diferentes.
A defesa jusnaturalista
Murray Rothbard, seguindo uma linhagem que remonta a John Locke, argumentava que a propriedade nasce de um direito natural: cada pessoa é dona do próprio corpo, e ao misturar seu trabalho com um recurso não possuído por ninguém, estende esse domínio ao recurso. Essa defesa não depende de calcular consequências — é uma questão de princípio, válida independentemente de gerar ou não mais riqueza.
A defesa consequencialista
Outros autores, mais próximos da tradição de Mises e Hayek, defendem a propriedade não como direito moral inato, mas como a regra que, na prática, produz melhor coordenação social e mais prosperidade do que qualquer alternativa testada. Aqui o argumento é empírico: sistemas com propriedade privada bem definida tendem a calcular melhor, incentivar melhor e cooperar melhor do que sistemas sem ela.
As duas defesas divergem sobre o que fazer quando, hipoteticamente, propriedade privada e melhor resultado agregado apontassem em direções opostas — um cenário raro, mas teoricamente relevante para separar os dois campos. Na prática cotidiana, as duas convergem quase sempre para a mesma conclusão, e é por isso que convivem sem maior atrito dentro da mesma tradição intelectual.